No último porto onde fundeei, recebi há dias, contra minha vontade, instruções para zarpar. Levantar ferro. E fixaram-me prazo: 30 de Junho. E se não recolher até lá todo o material que ali armazenei, aquele será dado como perdido.
Se assim é, não vou ficar à espera que mudem as páginas do calendário. Já basta o trabalhão que o comandante e alguns tripulantes do Delito de Opinião terão pela frente. Não é o mesmo preparar para a viagem um porta-aviões e um pequeno veleiro. Mas não há alternativa.
O Sapo Blogs revelou-se uma plataforma sem gente dentro. Uma espécie de tratado de caracteres sem consequências, onde as regras são mudadas por puro arbítrio do senhorio. Sem consideração por quem ajudou a fazer e cuidou da casa.
Há, pois, que cortar rapidamente. Não há mais nada para se ver. Está tudo visto. E que sejam felizes.
Agora há que recuperar o que for possível; depois, preparar os mantimentos para a viagem, verificar os coletes e as adriças, soltar as amarras, recolher as defensas e fazer-me ao largo.
Quem sabe se essa não será a melhor forma de me reconciliar? De voltar, como escreveu Hernán Díaz, a "esculpir o presente no bloco informe do futuro". É o que por aqui continuarei a fazer. Entre Partagas, sempre que possa, enquanto olho para o mundo.
Ponto por ponto, letra a letra, folha a folha, dando sentido ao que não pode ficar esquecido. Com a liberdade de sempre. Entre amigos, com quem nos quer bem e merece a nossa confiança. Com os que lêem.

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