Ao que dizem as notícias, a criatura mecânica fez o "extraordinário" tempo de 50 minutos e 26 segundos. Esta marca "bateu" a do humano Jacob Kiplimo, um queniano que em Março fez 57 minutos numa prova idêntica em Lisboa.
Confesso que não alcanço qual seja o objectivo de colocar esses robots disformes, horríveis, com umas articulações mecânicas que em nada se assemelham às humanas, a correr ao lado dos humanos. E ainda mais confuso fico quando querem comparar os tempos que fazem em percursos semelhantes.
Há gente que pode ficar muito contente, mas essa nova adoração e culto dos robots humanóides é mais uma prova da desumanização das nossas sociedades e da inesgotável estupidez humana. A seguir às bonecas de silicone que visam substituir as mulheres da vida real.
Se querem que o humanóide corra mais depressa que os homens não será necessário muito. É dotarem-no de uma unidade motriz mais potente, aumentarem-lhe a "cavalagem", como dizem alguns mecânicos na preparação de carros de competição, ou colocarem-lhe uns patins, e estou seguro que assim baterão todos os recordes.
Não serão é recordes humanos. Serão recordes de robots humanóides, e por natureza incomparáveis com os humanos por se tratarem de realidades diferentes em todos os sentidos: sem nervo, sentimento, reacções, humores, sem a perfeição e o acabamento que o nosso Criador, seja lá quem for, nos deu.
O grau de estupidez que este tipo de adoração e comparação entre feitos de humanos, reais, com marcas de humanóides comporta, em vez de colocar a tecnologia ao serviço do criador, parece querer colocar o criador ao serviço da criação, e passar a avaliar as suas características, natureza, personalidade em função de uma máquina. Uma aberração.
O drama maior é que numa sociedade dominada pela informação, os media e as redes sociais, quem escuta também é colocado ao nível do humanóide.
E os humanóides não estão apenas nas estradas correndo maratonas ao lado dos humanos, estão nas televisões, nas rádios e nos jornais. Em Portugal há um exército de comentadores humanóides que emite opiniões como se fosse ciência.
De reservistas e reformados da tropa a catedráticas da petulância e da bola, discursando sobre "o Trump", as tácticas do chuto-na-bola e as crises que afectam a geopolítica mundial.
Torna-se por isso natural, embora inaceitável, haver alguém a dizer que Pearl Harbor "só" aconteceu devido ao facto dos japoneses terem "levado" com duas bombas atómicas. Esta é a prova do que acima escrevi. A garantia, terrível, de que caminhamos rapidamente para um mundo dominado por humanóides, com alguns de carne, osso e microfone.
A diferença é que os humanóides de diversas ligas metálicas não têm culpa. Não estudaram. Nem tinham obrigação de fazê-lo. E desses podemos livrar-nos. Atirando-os por uma janela ou dando-lhes umas boas marteladas. Dos outros não. E ainda é preciso pagar-lhes o salário.

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