25/05/26

corrida


Há um momento em que se inicia uma viagem da qual se sabe que não haverá hipótese de regressar igual. Sabemos que um dia será necessário iniciá-la; procuramos sempre adiá-la. 
Esta que há dias comecei levar-me-á para longe. Não sei durante quanto tempo, nem quem encontrarei ao longo desse percurso. 
De tempos a tempos dar-vos-ei nota do que for descobrindo, das experiências que for vivendo ao longo de um caminho que se fará diariamente com a esperança, o empenho, a tenacidade que as circunstâncias exigem. As minhas 24 Horas de Le Mans de 2026 estão prestes a começar.
Vai ser a mais importante prova de resistência da minha vida. E o facto de há anos, décadas, por lá andar, vestindo uma outra pele, sei que me dará energia e vontade para chegar ao fim. 
Quando cortar a meta, mais para o Verão, não espero apenas ver uma bandeira de xadrez, mas também uma praia. Cheia de luz, de sol e de muito azul fugindo da espuma branca que sai da crista das ondas, como a daqueles bravos que atravessavam, noutros tempos, as areias do Saara em busca da visão idílica da chegada a Dacar.
E que os deuses nos protejam. A todos os que nesta prova irão participar. 
E aos que nos garantirão do lado de fora a assistência ao longo do percurso, as mudanças de pneus, os indispensáveis reabastecimentos, cujo sorriso e ternura procurarei quando os meus olhos os vislumbrarem a partir do lado de dentro do capacete. Só assim chegaremos a bom porto.

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